Decantar reúne os podcasts de Alexandre de Salles. Aqui, ideias sobre estratégia, finanças, governança e legado amadurecem antes de virar decisão.
Dois programas, um mesmo princípio, pensar com calma o que costuma ser decidido às pressas: Decantando Ideias, sobre permanência e o tempo das escolhas, e O Olhar do CFO, sobre os números e a lógica que sustentam as empresas.
No centro deste universo está Além das Vinhas, o romance de Alexandre de Salles sobre negócios, herança e legado.

Últimos episódios

Decantando Ideias #42: A fadiga de parecer

Você conhece esse vinho. Garrafa pesada, baunilha no nariz, e a mesa inteira aprova o primeiro gole. No dia seguinte, a garrafa está pela metade na bancada. Ele não estava ruim, ele cansava. Existe um nome técnico para isso, fadiga de paladar, e existe um motivo econômico para o vinho ter sido feito assim: a barrica nova de carvalho é um dos itens mais caros de uma vinícola, e em muitos casos ela não está ali para revelar a uva, mas para cobrir o que a uva não conseguiu ser naquele ano. Neste episódio eu uso o excesso de madeira para falar de uma coisa que aprendi a reconhecer no orçamento antes de reconhecer na taça: empresas que passam a gastar mais para parecer do que para ser. Falo dos ensaios de apresentação, das reuniões de preparação de reunião, e da pergunta desconfortável que demorei a fazer, que é quantas horas da nossa semana vão para a operação e quantas vão para a representação da operação. Falo também do cansaço que isso produz em quem lidera, que não é o cansaço da entrega, é o da vigilância. E de uma pergunta que eu não consigo responder com elegância. A madeira, com o tempo, apenas recua e deixa exposto o que havia por baixo.  Se ela saísse agora, o que restaria de fruta? Sirva-se de uma taça. A versão escrita está na Decantar, em decantar.alexandredesalles.com.br

O Olhar do CFO Podcast #51: O comercial vendeu, a empresa não tinha

Um restaurante com quarenta mesas tem uma cozinha dimensionada para quarenta mesas. Há fila na porta, e alguém no salão faz uma conta razoável: se a demanda existe, por que não aceitar setenta reservas. O salão lota. A cozinha, entre sete e nove da noite, não cresce. O faturamento daquela noite sobe. O negócio piora. Essa é a forma mais comum pela qual uma empresa saudável adoece, e ela tem número. A Serasa Experian registrou em 2025 o maior volume de empresas em recuperação judicial da série histórica, atingindo companhias operacionalmente viáveis, estranguladas pela estrutura de capital. O produto funciona, o cliente compra, a operação entrega, e a empresa morre assim mesmo. Neste episódio, mostro por que crescimento consome caixa antes de gerar caixa, proponho pendurar a placa de tonelagem que quase nenhuma empresa tem, e chego à pergunta que costuma produzir silêncio em qualquer sala de diretoria: quem, na sua empresa, tem autoridade para recusar um contrato bom. Se a resposta for ninguém, sua empresa não tem arquitetura de crescimento. Tem sorte. E sorte não é projeto. Leia a edição completa e assine a Decantar, gratuitamente, em decantar.alexandredesalles.com.br Vamos construir negócios que perdurem.

O Olhar do CFO #50: A conta do clima já chegou, ela só não veio com esse nome

Pergunte hoje ao seu controller quanto a sua empresa gastou com clima no ano passado. Ele vai abrir a planilha, rolar até o fim e dizer a verdade: não existe essa linha. E ele estará certo. Não há rubrica chamada clima em plano de contas nenhum. O que existe é energia elétrica, prêmio de seguro, frete, manutenção, perda de estoque, parada não programada, despesa financeira. O clima não emite nota fiscal, e por isso nunca aparece na contabilidade com o próprio nome. Neste episódio, parto de dois fatos deste ano para mostrar o tamanho desse ponto cego. A pesquisa da CNI que revela a energia como principal insumo de 79% das indústrias brasileiras, e a decisão da CVM que revogou a obrigatoriedade do relatório de sustentabilidade e clima para companhias abertas, deslocando o tema do dever de relatar para o dever de explicar. Proponho uma auditoria reversa: em vez de perguntar qual é a nossa pegada de carbono, perguntar em que linhas do nosso resultado o clima já aparece, e sob que nome. Porque uma empresa que não sabe onde paga pelo clima não controla a própria margem. Isso não é performance, é sorte com aparência de gestão. E sorte não é projeto. Leia a edição completa e assine a Decantar, gratuitamente, em decantar.alexandredesalles.com.br Vamos construir negócios que perdurem.

Decantando Ideias #41: O valor do incômodo leal

Existe um vinho que agrada no primeiro gole e não sobrevive ao terceiro ano. Falta acidez. Neste episódio eu parto desse defeito, que os enólogos chamam de flacidez, para falar de uma coisa que passei anos confundindo com competência: a reunião agradável, a pauta cumprida no horário, a decisão aprovada sem atrito. Descobri, tarde, que existe um tipo de suavidade que não é harmonia. É perda de estrutura. Duas pessoas podem dizer exatamente a mesma frase, na mesma sala, sem serem feitas da mesma substância. Uma sustenta a decisão depois de perder o argumento. A outra apenas guarda o direito de dizer, meses adiante, que avisou. O vinho tem nome para as duas, e tem nome também para uma terceira, mais elegante e talvez mais perigosa: a acidez corrigida em laboratório, que na gestão costuma se chamar ritual de contraditório. Falo do que aprendi como CFO e conselheiro sobre o preço social de ser a voz que diz que o número não fecha, sobre por que o incômodo leal só existe onde há vínculo, e sobre a pergunta que me inquieta mais do que todas as outras: o silêncio ao redor de quem lidera raramente é neutro. Quem parou de incomodar talvez não tenha passado a concordar. Talvez tenha parado de investir. Sirva-se de uma taça, de preferência de acidez viva. A versão escrita desta edição está na Decantar, com as duas editorias e os avisos de novos episódios: decantar.alexandredesalles.com.br

O Olhar do CFO Podcast #49: A empresa familiar no limite

Toda empresa familiar começa como uma casa construída sem planta, cômodo por cômodo, guiada pela urgência de morar. Funciona bem enquanto quem construiu está por perto para lembrar onde ficam os encanamentos. Neste episódio eu falo sobre o momento em que essa casa chega ao limite do improviso, e sobre um mal-entendido que trava a profissionalização antes mesmo de ela começar: a ideia de que profissionalizar é trair a própria origem. Não é. O que precisa morrer não é a identidade da empresa, é o personalismo que a deixa exposta ao acaso. Eu conto por que separar papel de pessoa, escrever o que só se falava e criar um espaço de decisão antes da crise são os passos que transformam o talento de um fundador em estrutura capaz de atravessar gerações. Fecho com uma pergunta que vale para qualquer sócio, herdeiro ou fundador ouvindo agora. Se você precisasse se ausentar amanhã, sem aviso, por quanto tempo sua empresa aguentaria em pé. Assine a newsletter Gestão & Sustentabilidade, gratuitamente, em decantar.alexandredesalles.com.br